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Controlo de Qualidade
 
CONSIDERAÇÕES SOBRE PREPARAÇÃO DE SUPERFÍCIES
 
Normas de Preparação da Superfície
 
Dentre as normas existentes de preparação da superfície, a mais usual é a sueca Swedish Standards Institution (SIS 05 5900) de 1988. No quadro abaixo são apresentadas as normas equivalentes á mencionada.
 
Tratamento
Sis (1)
SSPC(2)
BS 4232 (3)
NACE (4)
JSRA SPSS (5)
Limpeza com ferramentas mecânicas
St2
SP2
-
-
-
Limpeza com ferramentas mecânicas
St3
SP3
-
-
Pt3
Jacteamento ligeiro Brush-off
Sa1
SP7
-
Nº 4
-
       
Jacteamento comercial
Sa2
SP6
3ª qualidade (80% min)
Nº 3
Sh1, Sd1
       
Jacteamento ao metal quase branco
Sa2 1/2
SP10
2ª qualidade (95% min)
Nº 2
Sh2, Sd2
       
Jacteamento ao metal branco
Sa3
SP5
1ª qualidade (100% min)
Nº 1
Sh3, Sd3
       
Limpeza com solvente
-
SP1
-
-
-
       
Limpeza a fogo
F1
SP4
-
-
-
         
Decapagem Quimica
-
SP8
-
-
-
       
intemperismo de jacto abrasivo
-
SP9
-
-
-
       
 
1- Swedish Standard Institution (SIS 05 5900 - 88) - Norma sueca.
2- Steel Structure Painting Council - Norma americana.
3- British Standards - Norma inglesa.
4- National Association of Corrosion Engineers - Norma americana

5- The Shipbuilding Research Association of Japan Standards for the Preparation of Steel Surface Prior to Painting - Norma japonesa.

Para o preparo de superfície por hidrojateamento usa-se como referência o manual STG-2222, editado pelo German Shipbuilding Technical Society.

 
TRATAMENTO DE SUPERFÍCIE PARA DIVERSOS SUBSTRATOS
AÇO CARBONO
Desengorduramento - Sua função é a remoção de óleo, graxa ou qualquer outro contaminante que permaneça sobre a superfície, através da limpeza com panos ou trapos embebidos no solvente.Se o uso de solventes não der uma limpeza satisfatória, pode-se usar vapor com detergentes (desengraxantes).
Limpeza com ferramentas manuais - A remoção de carepas soltas de laminação, regiões oxidadas e tintas envelhecidas, podem ser feitas através do emprego de escovas de aço, lixamento, raspagem, entre outras ferramentas manuais
Limpeza com ferramentas mecânicas - Método menos trabalhoso que a anterior, pois se empregam lixadeiras eléctricas, escovas de aço, martelos de agulha, entre outras, para a remoção de carepas soltas de laminação, regiões oxidadas e tintas envelhecidas.
Limpeza por Jacteamento - O jacteamento abrasivo é o método mais eficaz para remoção de carepas soltas de laminação, regiões oxidadas e tintas envelhecidas, com o emprego de areia ou granalha, escória de fundição de cobre e óxido de aluminio, aplicadas sob alta pressão.
 
AÇO GALVANIZADO

Desengorduramento - Sua função é a remoção de óleo, graxa ou qualquer outro contaminante que permaneça sobre a superfície, através da limpeza com panos ou estopas embebidos no solvente.

Os produtos resultantes da corrosão branca do zinco devem ser removidos com água sob alta pressão ou lixamento manual. Pode-se usar o jacto ligeiro (brush-off), lavando a seguir com água, para assegurar a remoção dos sais solúveis de zinco. Após a limpeza e secagem do substrato, aplicar primer de alta aderência, próprios para superfícies não ferrosas.

 
ALUMÍNIO
Desengorduramento - Sua função é a remoção de óleo, graxa ou qualquer outro contaminante que permaneça sobre a superfície, através da limpeza com panos ou estopas embebidos no solvente. Caso o substrato estiver com indicios de corrosão, fazer um ligeiro lixamento com posterior lavagem. Deixar secar e aplicar primer de alta aderência, próprios para superfícies não ferrosas.
 
CONCRETO
Novo - Não aplicar qualquer tipo de revestimento sem que o concreto esteja seco e curado pelo menos há 25 dias (25º C). A nata de cimento e pó solto formado na sua superfície devem ser eliminados, para que haja uma perfeita aderência do sistema. O tratamento adequado para a redução da alcalinidade do concreto é o tratamento ácido. Adicionar ácido muriático a 15% em água, homogeneizar com espátula de madeira, aplicar sobre o concreto, deixando-o agir até que a superfície apresente uma aparência rugosa e áspera. Lavar com água abundamente, não deixando formar poças. Esperar secar e aplicar o revestimento especificado.
 
Velho - A nata de cimento e pó solto formado na sua superfície devem ser eliminados para que haja uma perfeita aderência do sistema. Otratamento adequado para superfícies de concreto velho é o jacteamento ligeiro. Escovas rotativas podem ser usadas, mas requerem mais trabalho. Outro método é o do ácido muriático já descrito acima.
 
GRAUS DE OXIDAÇÃO
GRAU A - Superfície de aço completamente coberta pela carepa de laminação, intacta e aderente, com pouca ou nenhuma corrosão.
GRAU B - Superfície de aço com principio de corrosão, cuja carepa de laminação tenha começado a desagregar-se.
GRAU C - Superfície de aço cuja carepa de laminação tenha sido removida pela corrosão ou possa ser retirada por meio de raspagem, apresentando pequenos alvéolos.
GRAU D - Superfície de aço cuja carepa de laminação tenha sido removida pela corrosão, apresentando corrosão alveolar de severa intensidade.
 
GRAUS DE PREPARAÇÃO POR RASPAGEM OU ESCOVAMENTO
 
Padrão St 2: Limpeza manual

Superfície de aço completamente raspada e tratada manual ou mecanicamente com escova de aço, etc. O tratamento deve remover a carepa de laminação solta, a ferrugem e qualquer outro material.

A superfície deve ser limpa imediatamente, com aspirador, com ar seco e comprimido ou escova de pêlo. O aspaecto deve corresponder a um suave brilho metálico, de acordo com os padrões fotográficos da designação St 2.

 
Este tratamento não se aplica a superfícies que apresentem grau A de corrosão. Os padrões atingidos são: B St 2. C St 2 e D St 2 da Norma SIS 05 5900 - 1988
TRATAMENTO POR JACTEAMENTO ABRASIVO EM AÇO
Consiste no melhor preparo de superfície de aço pelo emprego de areia, granalha de aço ou outros abrasivos.
 
Padrão Sa 1: Limpeza por jacteamento abrasivo ligeiro (BRUSH-OFF)
Carepas de laminação soltas, ferrugem e matérias estranhas devem ser removidas. A superfície deve ser limpa imediatamente com aspirador, ar comprimido limpo e seco ou escova limpa. A aparência final deve corresponder aos padrões fotográficos e visuais, conforme Sa 1. Este tratamento não se aplica a superfícies que apresentem grau A de intemperismo. Para os demais, os padrões de tratamento são: B Sa 1, C Sa 1 e D Sa 1 da Norma SIS 05 5900 - 1988
 
Padrão Sa 2: Limpeza por jacteamento abrasivo comercial
Praticamente toda carepa de laminação, óxidos e outras impurezas são eliminadas por este tratamento. Se a superfície possui alvéolos (crateras), pelo menos 66,7% da área de 6,45cm2 deverão estar livres de resíduos visíveis. A superfície deve ser limpa imediatamente com aspirador, ar comprimido limpo e seco ou escova limpa. A aparência final deve corresponder aos padrões fotográficos e visuais, conforme Sa 2. Este tratamento não se aplica a superfícies que apresentem grau A de intemperismo. Para os demais, os padrões de tratamento são: B Sa 2, C Sa 2 e D Sa 2 da Norma SIS 05 5900 - 1988.
 
Padrão Sa 2 1/2: Limpeza por jacteamento abrasivo ao metal quase branco
Carepas de laminação, ferrugem e matérias estranhas devem ser removidas de maneira tão perfeita que seus vestigios apareçam somente com manchas tênues ou estrias. A superfície deve ser limpa imediatamente com aspirador, ar comprimido limpo e seco ou escova limpa. A superfície deve apresentar aspecto correspondente aos padrões fotográficos e visuais, conforme Sa 2 1/2, com seus respectivos graus de intemperismo: A Sa 2 1/2 B Sa 2 1/2, C Sa 2 1/2 e D Sa 2 1/2 da Norma SIS 05 5900 - 1988.
 
Padrão Sa 3: Limpeza por jacteamento abrasivo ao metal branco
Carepas de laminação, óxidos e materiais estranhos devem ser removidos totalmente, que lhe dará uma aparência cinza clara e isento de manchas ou estrias. A superfície deve ser limpa imediatamente com aspirador, ar comprimido limpo e seco ou escova limpa. A aparência final deve estar de acordo com os padrões fotográficos e visuais, conforme Sa 3, com seus respectivos graus de intemperismo: A Sa 3, B Sa 3, C Sa 3 e D Sa 3 da Norma SIS 05 5900 - 1988.
 
CONDIÇÕES GERAIS

Antes do jacteamento abrasivo, o aço deverá estar livre de gorduras, graxas ou óleos, através do desengorduramento com solventes embebidos em panos ou estopas, vapores de solventes ou outros métodos que eliminem estes contaminantes.

A areia utilizada deverá estar isenta de argila, sais de cloro solúveis (menor que 40 ppm ou 0,004%) ou outros contaminantes.

Após o jacteamento, a superfície deverá ser limpa por meio de escova, aspirador de pó, jacto de ar seco, para a remoção de grãos de areias e partículas.

Os cordões de solda e arestas vivas devem ser esmerilhados para evitar baixa espessura de tinta nas arestas vivas, diminuindo sua protecção. Praticamente não se consegue cobrir de maneira uniforme respingos de solda, que devem ser removidos para evitar falhas prematuras da pintura.

O perfil de aspereza obtido através do jacto abrasivo dependerá do abrasivo usado, da pressão do ar e técnica. Via de regra, o perfil ideal para um sistema de pintura é aquele que compreende em torno de 30% da espessura final do sistema.

Tipo de Abrasivo
 
Tamanho da malha (mesh)
Abertura Nominal (mm)
Abertura Máx. do Perfil (mils )
Abertura Máx. do Perfil ( µm )
         
Areia muito fina
80
0,175
1,5
40
         
Areia Fina
40
0,420
2,0
50
         
Areia média
18
1,000
2,5
65
         
Areia Grossa
12
1,700
2,8
70
         
Granalha de aço (angular)
40
4,200
1,3 - 3,0
30 - 75
         
Granalha de aço (esférica)
20
0,840
1,8 - 2,8
45 - 70
         
Granalha de ferro (angular)
25
0,700
3,3
85
         
Granalha de ferro (angular)
18
1,000
3,6
90
         
Granalha de ferro (angular)
16
1,200
4,0
100
         
Granalha de ferro (esférica)
12
1,700
8,0
200
         
Granalha de ferro (esférica)
18
1,000
3,0
75
         
Granalha de ferro (esférica)
 
16
1,300
3,3
85
         
Granalha de ferro (esférica)
 
14
1,300
3,6
90
         
 
LIMPEZA A FOGO - PADRÃO FI

A limpeza á chama inclui no final da operação uma limpeza mecânica com escova de arame, para eliminar os produtos da operação de limpeza a fogo.

Quando examinada a olho nu, a superfície deverá estar isenta de carepa de laminação, ferrugem, tinta e matérias estranhas.

Os padrões visuais de tratamento são: AFI, BFI, CFI, e DFI da Norma SIS 05 5900 - 1988.

 
TRATAMENTO POR JACTEAMENTO ABRASIVO HÚMIDO

O jacteamento com abrasivo húmido nada mais é do que o jacteamento com abrasivo seco, porém misturado com água.

Este método surgiu da necessidade de se eliminar os riscos proporcionais pelo jacteamento seco convencional, pois o mesmo pode causar problemas sérios de saude ao homem (doença profissional conhecida como silicose).

Outro inconveniente que a poeira seca da areia proporciona é que os equipamentos próximos á zona de jacteamento podem sofrer danos significativos face a contaminação dos abrasivos nos equipamentos, como por exemplo a poeira nos motores.

Embora a limpeza seja inferior em relação ao jacteamento seco, o jacteamento com abrasivo húmido é, sem dúvida, muito superior ao tratamento mecânico, que não remove os contaminantes existentes. No jacteamento com abrasivo húmido, o perfil é similar ao jacteamento seco e conhecemos os contaminantes presentes: água, inibidor de corrosão e flash rusting.

 

O flash rusting é a corrosão leve que se forma quando a superfície jacteada sem inibidor de corrosão inicia a secagem. Pode ocorrer também após lavagem com água doce sem inibidor de corrosão de uma superfície jacteada com abrasivo húmido e com inibidor de corrosão.

A utilização de jacteamento com abrasivo húmido, requer mudança conceptual relativa ao aspecto final da superfície a ser pintada, pois durante décadas acostumamo-nos a pintar áreas jacteadas sem presença visual de corrosão. Já no jacteamento com abrasivo húmido sem inibidor de corrosão, a superfície apresenta-se com flash rusting, que é perfeitamente aceitável ao ponto de vista de pintura, desde que se utilize produtos adequados.

Não se recomenda qualquer tipo de inibidor de corrosão em superfícies sujeitas a imersão constante e também para tintas ricas em zinco. Para superfícies que apresentem húmidade residual após jacteamento com abrasivo húmido.

Como o jacteamento abrasivo húmido é uma nova abordagem, recomendamos que os nossos clientes entrem em contacto com o nosso departamento técnico para esclarecimentos mais detalhados.

 
TRATAMENTO POR HIDROJATEAMENTO

O hidrojacteamento é uma boa técnica de limpeza de superfície onde se utiliza água a altíssima pressão para se obter uma superfície adequada para pintura.Como não são utilizados agentes abrasivos durante o processo de hidrojacteamento, elimina-se a geração de partículas finamente divididas, sendo a sílica a mais crítica entre elas.

Este sistema de limpeza é ideal para áreas onde existem certas restrições, tais como:

- Poluição pela suspensão de partículas provenientes do abrasivo;

- Contaminação de equipamentos e processos por areia;

- Dificuldades operacionais, tanto em plantas químicas quanto em plataformas offshore que não podem sofrer paragens no processo, etc.

 

Existem vários termos utilizados no preparo de superfície utilizando-se da água á alta pressão. Os termos hydroblasting, water jetting, hydrojetting e water blasting são utilizados para se referir ao hidrojacteamento. Segundo a NACE / SSPC-SP-12, o hidrojacteamento é um processo em que a água a pressões superiores a 10.000 psi é forçada através de um bico, objectivando limpar a superfície submetida a este tratamento. Consideram-se normalmente duas faixas de operação das pressões no hidrojacteamento á alta pressão (HPH), cujas pressões variam de 10.000 a 25.000 psi ( 680 a 1700 bar), e o hidrojacteamento á ultra-alta pressão (UHPH), onde se trabalha com pressões acima de 25.000 psi (acima de 1700 bar) . Existe uma grande dificuldade para se definir padrões de limpeza da superfície por hidrojacteamento, como no caso de substratos preparados conforme jacteamento a seco ( com abrasivo ), que segue os padrões da norma SIS 05 5900.

A caracteristica mais interessante dos beneficios do hidrojacteamento é a redução substancial da presença de sais, principalmente cloretos, e a remoção de outros materiais solúveis em água. Sais, quando não removidos antes da aplicação do esquema da pintura, podem causar bolhas no filme de tinta aplicado, por causa da osmose.

 
                 
                                               
                                               
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